Low Cost na Europa e em Portugal

É com prazer que convido o Sérgio do blog LowCost Portugal para nos dar uma visão do mercado das companhias aéreas low cost em Portugal e em toda a Europa, aliás uma bela visão. Desde já agradeço por ter aceitado o convite. Aproveitem!

 

* Por Sérgio Bastos
_______________________________________________________________

Nos últimos quinze anos, as companhias aéreas “low cost” têm sido o motor do desenvolvimento do negócio aéreo na Europa. Estas empresas têm sabido perpetuar o modelo estabelecido pela americana Southwest nos anos 70 do século passado. O impacto das “low cost” tem, por exemplo, levado à queda e readaptação das companhias “charter” e mesmo das regulares nos serviços de médio curso no velho continente.

A Ryanair (Irlanda) e easyJet (Inglaterra) são as “low cost” com maior predomínio, em parte, por terem sido as duas primeiras a adoptarem o modelo na Europa. Juntas, transportaram cerca de 100 milhões de passageiros nos últimos 12 meses, o que as posiciona entre os grandes grupos aéreos europeus actuais: Lufthansa, AirFrance-KLM e British Airways.

Air Berlin (Alemanha), Vueling (Espanha), Wizz Air (Bukgária), Bmibaby (Inglaterra), FlyBe (Inglaterra), FlyGlobesPlan (Escócia), Germanwings (Alemanha), Jet2.com (Inglaterra), Monarch, (Inglaterra), Norwegian (Noruega), Sterling (Dinamarca), Helvetic (Suíça), Thomsonfly Airways (Inglaterra), TuiFly (Alemanha), Transavia (França-Holanda), Volareweb (Itália), são outras companhias aéreas que se auto-posicionam no segmento “low cost – low fare – no frills – low budjet” tendo, por vezes, preços pouco compatíveis com a designação. Algumas estabeleceram-se como companhias regionais, outras “charter” ou mesmo regulares. São, actualmente, uma mistura de todos estes modelos e tentam atrair clientes que viajam tanto por razões de lazer como de negócio.

As “low cost” europeias vivem um momento de redefinição devido à forte concorrência da easyJet e Ryanair, de companhias regulares, da recessão económica, do aumento dos preços do petróleo, entre outros factores. Neste contexto, por exemplo, nos últimos meses observou-se a falência da SkyEurope e registou-se a fusão da Clickair com a Vueling. O desaparecimento de algumas companhias não tem implicado a abertura de novas “low cost” o que, somado aos factores citados, leva a acreditar que a médio prazo só duas ou três companhias dignas do nome “low cost” se mantenham a operar no mercado europeu.

A eficiência, eficácia e taxas extra das companhias “low cost” estão a ser seguidas pelas empresas de transporte tradicionais. Estas começam a cobrar extras em refeições, transporte de bagagens, etc. A tentativa de companhias tradicionais de combater este tipo de empresas com a criação de subsidiárias “low cost”, fracassou. CentralWings (LOT), Clickair (Iberia), GoAir (BA) foram vendidas, mudaram de negócio ou fundiram-se com outras empresas. Ainda assim, resistem duas companhias com capital de grandes grupos aéreos Transavia (KLM-AirFrance) e Germanwings (Lufthansa).

Em Portugal, as “low cost” representam 33% do tráfego, segundo a ANA – empresa que gere os aeroportos de Portugal. Ryanair e easyJet, as companhias mais populares, ocupam o segundo lugar no tráfego dos aeroportos de Porto e Lisboa, respectivamente. Faro (Algarve), destino turístico por excelência, o tráfego é dominado pela easyJet a par de outras companhias “low cost” ou “low fare”. Em Lisboa a “marca laranja” ocupa o segundo lugar bem atrás da TAP. A companhia de bandeira nacional está no lugar cimeiro no Porto, com a Ryanair no encalço. Um facto relevante poderá inverter posições nos próximos meses: a abertura de base da Ryanair neste aeroporto no final de Outubro. Um investimento de 146 milhões de euros que garante mais de vinte rotas e 3 aviões estacionados. Com a abertura de base, a Ryanair passa a ligar Porto e Faro. Em 2008, as “low cost” tinham já rubricado desenvolvimentos importantes no mercado aéreo português com a liberalização do espaço aéreo entre Portugal continental e o arquipélago da Madeira. Desde Outubro de 2008, a easyJet opera entre Lisboa e Funchal, facto que criou preços mais competitivos e melhorou a ocupação turística.

Próximos desenvolvimentos das “low cost” em Portugal podem-se prender com a abertura de Faro como base da Ryanair, a entrada desta em Lisboa e a criação de rotas de “baixo custo” para o arquipélago dos Açores. 

Desde 18 de Dezembro de 2006 que o site LowCost Portugal cobre o desenvolvimento deste segmento de mercado do transporte aéreo em Portugal. Com mais de 1300 artigos publicados, um fórum especializado, o site é citado na imprensa. É a referência nacional tanto para clientes como para profissionais que lêem e comentam as suas experiências e expectativas a evolução do sector.

 Sobre o autor

Sérgio Bastos é Consultor de Comunicação em Social Media. Blogger desde 2003, é autor do LowCostPortugal (turismo) e Webismo (tecnologia. social media e comunicação), colabora no blogue do semanário Expresso Do Vinil ao Digital (música), e no blogue convidado do jornal Público Twitter Portugal (Social Media).

Links relacionados:

feed RSS Assine nosso feed RSS Twitter Siga-nos no Twitter! Compartilhe Compartilhe

Passagem aérea e reserva de hotel? Utilize o comparador de preços de passagens aéreas e hotéis da Mundi e economize!

1 Comentário »

  1. Opinião_O cenário low cost no Brasil — LowCost Portugal Said,

    outubro 30, 2009 @ 7:56 am

    [...] convidado é Junior do blogue Viajar é Preciso!, no qual já tive a oportunidade de escrever umas palavrinhas sobre o desenvolvimento das “low cost” no nosso país. O texto do Junior a mesma premissa: como evoluem estas companhias no Brasil e qual o seu [...]

Deixe seu comentário!